7.º episódio - Família

Na sequência do elogio à comunidade da edição anterior, o CLOSE-UP volta-se para uma comunidade nuclear, para a família, uma célula basilar inerente à condição humana e à criação artística, que remete para múltiplas possibilidades, de passado e de futuro, e que faz eco de memórias, viagens e lugares de edições anteriores do Observatório de Cinema.

Nas sessões de abertura e encerramento, com uma passagem pelo Teatro Narciso Ferreira, três filmes-concerto (ao vivo), com a noite de abertura como resposta a uma encomenda da Casa das Artes, um cruzamento reiterado entre a música e as imagens em movimento: os Glockenwise no diálogo com a sinfonia das imagens de Walter Ruthmann em Melodia do Mundo; O Gabinete do Dr. Caligari, despontar do expressionismo na perspectiva das electrónicas dos Haarvöl; e a Memorabilia das imagens de arquivo de super 8 de Jorge Quintela pelo projecto Miramar, nas guitarras de Peixe e Frankie Chavez.

As Paisagens Temáticas serão orientadas pelo conceito amplo de família, de famílias no Cinema, dentro e fora do ecrã e que não se esgotam na produção do presente: a família de cúmplices de um dos nossos grandes cineastas em A Távola de Rocha; um olhar que aponta a tecnologia, em A Vida Depois de Yang, como agente de afectividade e cuidador de memórias; uma família de actores e músicos, num filme que procura aproximar a filha da mãe em Jane por Charlotte; várias gerações de Itália, como um palco de acontecimentos nas vidas de As Irmãs Macaluso. Há também espaço para o reencontro com famílias que participam da nossa memória de espectadores: os ciganos de Kusturica na nova cópia de Gato Preto Gato Branco; o quinto episódio de Gritos, homenagem à herança da América de Wes Craven.

A Fantasia Lusitana deste episódio fica entregue à obra integral de Catarina Mourão: 25 anos de curtas e longas, um percurso que participou da transformação do nosso documentário. Uma obra tão filtradora de viagens por Portugal - pela História que precedeu o 25 de Abril e pela nossa contemporaneidade -, como de histórias de intimidade e de família, que será exibida, comentada e alvo de uma edição de textos, a enquadrar cada uma das sessões. As Histórias do Cinema serão alimentadas pelo diálogo entre dois dos seus protagonistas: o moderno Antonioni e o profano Pasolini. Uma retrospectiva repartida por este episódio e pelas réplicas da primeira metade de 2023, um convite para encontrar ou reencontrar um conjunto de filmes em novas cópias digitais e que constituíram, na órbita da década de 60, um grito das mudanças no mundo a que o Cinema daria paisagem.

O Observatório estabeleceu com a comunidade escolar uma relação dedicada. Haverá propostas de ficção, animação e documentário, mas também uma oficina com Tânia Dinis e uma masterclasse com Catarina Mourão, em sessões divididas pelos nossos auditórios e por visitas às escolas do nosso território. O Café Kiarostami receberá livros e música na órbita do cinema e as Famílias reencontrarão os amalucados Mínimos e o astronauta Buzz Lightyear.

A cantora Ana Deus olhará connosco para Jane Birkin e para a sua filha Charlotte Gainsbourg, o dramaturgo Jorge Palinhos encontrará um palco do tamanho das vidas de cinco irmãs de Palermo: as sessões comentadas são um trunfo renovado em encontros singulares do cinema com o público, num programa de mais de 30 sessões em oito dias, que também convida o espectador a encontrar no foyer do Teatro Municipal uma exposição de desenhos, fotografia e cartazes de Il Maestro Federico Fellini, numa parceria com Museu de Cinema de Melgaço – Jean-Loup-Passek.

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