Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

Sobre o observatório

Close-up, que é um tipo de plano cinematográfico que aproxima a observação, mas que é também um filme incontornável na história do Cinema (de Abbas Kiarostami, 1990), que servirá de epígrafe deste Observatório: na colisão entre o documentário e a ficção, entre o real e o simulacro, emergem as potencialidades humanistas do Cinema: um homem envolve-se com uma família passando-se por um realizador, é julgado por esse delito, mas é perdoado, redimido pelo cinema de Kiarostami. Edifica-se, então, um Observatório de Cinema, com vigência estendida ao longo de todo o ano e com uma Mostra, ponto alto e intenso da programação, que na 2.ª edição decorrerá entre os dias 14 e 21 de Outubro. Procurando inovar no formato, para lá da ideia conceptual de Festival, pretende-se, tal como a designação Observatório pretende evocar, um contínuo e detalhado olhar sobre a produção do Cinema do presente, antecipando as mutações que o futuro trará, nas suas relações com as outras artes, o mundo académico e a comunidade, atribuindo protagonismo a sessões comentadas que se estendem por todo o programa. A história do Cinema estará no cerne da programação do Observatório, sustentada no legado da linguagem das imagens em movimento: da arqueologia das imagens fantasmáticas do virar do séc. XX, até ao universo digital e da multiplicação de ecrãs do séc. XXI.

Deixamos abaixo as secções que compõem esta edição:

De 14 a 21 de Outubro, em vários espaços da Casa das Artes, o segundo episódio do Close-up – Observatório de Cinema de Vila Nova de Famalicão, com 40 sessões de cinema contemporâneo e com trilhos pela história do Cinema (com Wenders, Lynch e Shepitko), sob o mote da Viagem, incluindo filmes-concerto em estreia (pelos Sensible Soccers e Dead Combo), filmes comentados (por realizadores, jornalistas, investigadores e programadores), sessões especiais e ante-estreias, filmes e workshops para escolas e para famílias, uma produção própria (de Tânia Dinis) incluída no panorama no feminino de produção portuguesa e uma exposição de fotografia – O Perfume do Boi – de André Principe no foyer.

2.a viagem

No documentário preparatório do filme Nostalgia, o poeta Tonino Guerra conta a Andrei Tarkovsky a história de um professor de artes que pedia aos seus alunos que desenhassem uma circunferência tendo na outra mão uma esfera de ferro. A esfera que Tonino Guerra põe numa das mãos de Tarkovsky em Tempo de Viagem tem o peso do mundo. Com as suas texturas, variações e ritmos circadianos. Onde começa a Viagem começa também o Cinema. Tarkovsky enfatiza a importância dessa continuidade entre a vivência do autor e a criação cinematográfica. Entre o interior e o exterior. A Viagem é nesta segunda edição do Observatório o mote organizativo transversal às diferentes secções temáticas. A Viagem que nos atravessa através do Cinema. A Viagem que atravessamos através do desconhecido e do espanto. Através dos percursos que traçamos na terra e dos rastos que nos deixam e deixamos.

As noites de abertura e encerramento deste 2.º episódio apresentam filmes-concerto em estreia, viagens a formas primitivas e (falsamente) arcaicas, encomendas do Observatório de Cinema: o manifesto vanguardista de Vertov, O Homem da Câmara de Filmar, pelos aventureiros Sensible Soccers; três curtas de Reinaldo Ferreira, o Repórter X, pela instituição Dead Combo, guitarra de Tó Trips e o contrabaixo de Pedro Gonçalves, uma paisagem cinema.

O itinerário para as Histórias do Cinema cruza caminhos da Europa-América: a subida aos céus e a excursão ao gelo soviético de Larisa Shepitko (com o parceiro Klimov); a adaptação cinematográfica pela dupla Wenders – Handke, uma das mais notáveis colaborações entre escritor e cineasta; com o Cinema de Lynch a apossar-se por estes dias da televisão, um documentário vida-arte e a reposição de estradas perdidas, o prólogo para Twin Peaks e a circular com vista para a terra da luz e das sombras. A secção Fantasia Lusitana, panorama de produção portuguesa, apresenta-se no feminino: Anabela Moreira, Karen Akerman, Luciana Fina, Rita Azevedo Gomes, Salomé Lamas; filmes realizados por lusitanas (ou que nos escolheram), coevas, mas com modos de olhar distintos e singulares, que usam a linguagem cinematográfica como veículo de (re)criação artística, de onde destacamos uma estreia do Observatório de Cinema: Armindo e a Câmara Escura de Tânia Dinis, uma experiência do tempo que passou e do tempo que não passa.

Com produção contemporânea em diálogo com obras importantes da história do Cinema, releva-se o espaço para o registo e recriação ficcional da Infância e Juventude, campo de representação e interpretação, de encantamento, reflexão e estranhamento do mundo. Na prossecução do trabalho com a comunidade escolar, haverá Cinema para Escolas: Chaplin, Erice, Paulo Rocha, animação e masterclasses, para todos os graus de ensino e para professores, em articulação com os Agrupamentos de Escolas e o Plano Nacional de Cinema e com a participação do projecto CinEd, coordenado pelos Filhos dos Lumière. No diálogo com a comunidade haverá Sessões para Famílias, com filmes e workshops, espaço para juntar gerações e cruzar disciplinas e linguagens.

A cartografia do Cinema expande-se para fora da sala: uma viagem de três meses pelas fronteiras portuguesas, fora das cidades, nos campos, nas florestas, em pequenos circos, com lunáticos e acrobatas, numa exposição de fotografia de André Príncipe: O Perfume do Boi, no foyer de 14 de Outubro a 30 de Novembro; no café-concerto, no fim da noite, as paisagens sonoras dos Stooges e dos Talking Heads, pelas lentes de Jim Jarmusch e de Jonathan Demme.

Fazer, ver filmes, é ser viajante frequente: na Casa das Artes, oito dias de Cinema, com 40 sessões, incluindo ante-estreias e projecções especiais, comentadas por realizadores, jornalistas, investigadores e programadores.

Venha, o espectador curioso é passageiro privilegiado no Observatório de Famalicão.

Bilheteira
Geral: 2 euros
Cartão quadrilátero: 1 euro
Entrada livre: estudantes, seniores, associados de cineclubes

Bilheteira Filmes-concerto
Geral: 6 euros
Cartão quadrilátero, estudantes, seniores, associados de cineclubes: 3 euros

Bilheteira Workshops Famílias
Adulto + Criança: 5 euros

Imprensa
Faça download do material de imprensa [1.52MB] ou do livreto digital [27MB].

Ficha técnica
Organização: Município de Vila Nova de Famalicão / Casa das Artes
Programação: Vitor Ribeiro
Concepção: Vítor Ribeiro com Álvaro Santos e João Catalão
Textos, Apresentações e Debates: Hugo Romão Pacheco, João Catalão, Cristina Coelho e Vítor Ribeiro
Produção: Casa das Artes de Famalicão
Comunicação: José Agostinho Pereira e Cristiana Carmo
Grafismo: Galeria Gabinete
Entidades Parceiras: Agrupamento de Escolas de Camilo Castelo Branco, Agrupamento de Escolas de Gondifelos, Agrupamento de Escolas D. Sancho I, Cineclube de Joane, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, Instituto do Cinema e do Audiovisual, Os Filhos de Lumière / CinEd, Plano Nacional de Cinema
Parceiros
Agrupamento de Escolas de Camilo Castelo Branco
Agrupamento de Escolas de Gondifelos
Agrupamento de Escolas D. Maria II
Agrupamento de Escolas D. Sancho I
Cineclube de Joane
Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
Instituto do Cinema e do Audiovisual
Os Filhos de Lumière / CinEd
Plano Nacional de Cinema
Organização
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