Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

Fantasia Lusitana

Diogo Costa Amarante e Mário Macedo

O panorama de produção portuguesa destaca dois jovens realizadores portugueses que partilham o facto de estarem a construir um percurso, através da curta-metragem, com um pé dentro e outro fora do país: Diogo Costa Amarante, Urso de Ouro em Berlim em 2017, com uma retrospectiva das curtas-metragens desde os documentários concebidos aquando da formação em Barcelona, centrados na população migrante da Roménia, incluindo uma “carta branca” ao realizador sob a temática da Infância e Juventude; Mário Macedo, entre a Croácia e Portugal, deambulando pelo cinema, fotografia e videoclips, acaba de completar a trilogia dedicada ao seu tio Rui, que exibiremos na íntegra, onde encontramos a privação de liberdade, o envelhecimento e o regresso ao “mundo dos vivos”, sendo a terceira parte uma estreia, uma produção do Close-up (VR).

Diogo Costa Amarante. Em Barcelona estudou Documentário e Cinematografia na Escola Superior de Cinema-Audiovisuals de Catalunha, realizando então o seu primeiro filme, Jumate, que foi premiado como melhor documentário espanhol no Festival Internacional de Cinema Documentário de Madrid. Em 2009, participou no Talent Campus do Festival de Berlim e realizou o segundo filme Em Janeiro, talvez que recebeu igualmente o prémio de melhor documentário espanhol no Documentamadrid09 bem como uma menção especial no SalinaDocFest 09 / Itália. As Rosas Brancas, foi o filme pré-tese do MFA em realização e produção cinematográfica que concluiu na New York University / Tisch School of the Arts como bolseiro Fulbright. Este filme estreou na 64ª edição do festival internacional de Berlim como candidato ao Urso de Ouro de melhor curta metragem internacional. O filme acabou por ser premiado no Festival Européen du Film Court de Brest/ França. Cidade Pequena, filme com o qual conclui o seu MFA, conquistou o Urso de Ouro na 67ª edição do festival internacional de Berlim.

Mário Macedo. Nascido em Joane, Portugal, em 1989. Finalizou a European Film College na Dinamarca assim como uma licenciatura em Som e Imagem pela Universidade Católica Portuguesa no Porto. Em 2011 a sua curta-metragem documental Tio Rui estreou no DocLisboa, seguido de várias exibições noutros festivais. Fez parte de diversas produções desde videoclips a publicidades e trabalhou também como assistente de Andrew Sugerman na Pantheon Entertainment em Hollywood. Trabalha também como fotógrafo, tendo sido exibido em diferentes showcases e festivais à volta do mundo. A sua curta-metragem documental Maria Sem Pecado surge em seguimento da anterior e estreou no DocLisboa 2016 e ganhou o Grande Prémio Nacional no FEST 2017. Ambos os seus documentários fizeram parte dos Novos Olhares do Cinema Português na Cinemateca Portuguesa em 2017. Atualmente divide o seu tempo entre a Croácia e Portugal. Estreará no CLOSE-UP a terceira parte da trilogia dedicada ao seu Tio Rui: A Volta da Revolta.

  • de Diogo Costa Amarante
  • JUMATE

  • 17 de outubro (16h30, ICS.U MINHO) M/12
  • Jumate (Espanha, documentário, 2008, 30 min)
  • comentado por Diogo Costa Amarante e Isabel Macedo
  • no imdb | página na agência

Camélia, tal como os demais membros da família que partilhavam da sua condição, nasceu e cresceu num circo ambulante romeno que pertencia ao seu pai. Após a morte deste, o circo desapareceu. Camélia herda dele os números de ilusionismo, os vestidos e, principalmente, a vontade de viajar.

  • de Diogo Costa Amarante
  • EM JANEIRO, TALVEZ

  • 17 de outubro (16h30, ICS.U MINHO) M/12
  • Em Janeiro, Talvez (Espanha, documentário, 2009, 40 min)
  • comentado por Diogo Costa Amarante e Isabel Macedo
  • no imdb | página na agência

A Roménia entrou para a União Europeia a 1 de Janeiro de 2007. Na mesma data, acordou-se uma moratória de dois anos em relação à livre circulação de trabalhadores provenientes da Roménia. Em consequência desta medida, muitos trabalhadores de nacionalidade Romena adquiriram o direito de residência em Espanha, conjuntamente com a proibição de trabalhar por conta de outrem nesse mesmo país.

  • de Diogo Costa Amarante
  • AS ROSAS BRANCAS

  • 17 de outubro (21h45, PA) M/12
  • As Rosas Brancas (EUA, ficção, 2013, 19 min)
  • com carta branca ao realizador
  • no imdb | página na agência

Um grupo de pessoas dança num campo desportivo ao som de uma música dos Supertramp. Três irmãos levam flores para uma campa escondida debaixo da neve. O pai dirige-os. Eles abraçam-se. As memórias da pessoa ausente são invocadas através de um amuleto que o rapaz traz ao peito. A mãe deles morreu. Como conseguirão superar o vazio que ela lhes deixou? Cada um tenta encontrar o seu caminho redefinindo o seu novo papel na dinâmica familiar.

  • de Agnès Varda
  • SEM EIRA NEM BEIRA

  • 17 de outubro (21h45, PA) M/12
  • Sans Toit ni Loi (França/Grã-Bretanha, ficção, 1985, 100 min)
  • no imdb | página da Midas Filmes

“Sans Toit ni Loi” (em português, "Sem Eira nem Beira"), filme de 1985, uma ficção que conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e o César de melhor actriz para Sandrine Bonnaire, entre outros prémios, é a reconfirmação (para os menos desatentos) da predilecção de Varda pelos desprotegidos ou “esquecidos” do mundo. Numa manhã invernal, uma jovem sem-abrigo (Sandrine Bonnaire) é encontrada morta. A câmara de Varda vai tentar reconstituir o seu itinerário, a partir de testemunhos das pessoas com quem se cruzou no caminho. À altura, o filme gerou uma série de discussões e reportagens em França sobre os vulgarmente chamados SDF (sem domicílio fixo).

TIO RUI
Tio Rui (Portugal, documentário, 2011, 32 min)
O tio Rui tem de voltar. Depois de 72 horas em liberdade, o filme segue-o nos seus últimos momentos antes de voltar. Um retrato pessoal do realizador sobre o seu tio e a família que o rodeia, assim como a noção do tempo.


MARIA SEM PECADO
Maria Sem Pecado (Portugal, documentário, 2016, 29 min)
Após passar 10 anos na cadeia (Tio Rui, 2011), Rui volta a viver com a mãe, que, na sua ausência, começou a mostrar sinais de Alzheimer e agora luta para reconhecer o seu filho mais novo.


A VOLTA DA REVOLTA
A Volta da Revolta (Portugal, documentário, 2018, 27 min)
Passados quinze anos, Rui está de volta à rotina. Numa tentativa de se libertar dos fantasmas do passado, enceta uma viagem, física e espiritual, pelos locais que lhe mudaram a vida.