Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

Cinema para Escolas

Uma programação ambiciosa para o público escolar, com dez sessões, divididas entre os auditórios da Casa das Artes, dos Agrupamentos de Escolas e da Universidade do Minho, direccionadas para todos os escalões etários, incluindo animação e documentário, sessões comentadas e oficinas, propostas que podem enriquecer os currículos da escola (sob os temas da História e das migrações), valorizados com títulos onde o Cinema e a sua história marcam presença, com obras de Vittorio De Sica, Pedro Costa ou a aventura que começava, os Lumière compilados por Thierry Fremaux. O protagonismo atribuído à dicotomia Cinema e Educação, permitirá à Casa das Artes acolher, durante a vigência do Close-up, o arranque do ano quatro do CinEd, programa europeu de educação ao cinema dirigido a jovens entre os 6 e os 18 anos, financiado pela Europa Criativa/ Programa MEDIA da União Europeia e que reunirá durante quatro dias todos os parceiros dos nove países envolvidos. (VR)

  • de Nick Park
  • A IDADE DA PEDRA

  • 15 de outubro (10h00, GA) M/6
  • Early Man (Grã-Bretanha/França, animação, 2018, 89 min) (versão portuguesa) [1.º ciclo]
  • no imdb | página dos Estúdios Aardman

Há milhares de anos, durante o período Neolítico, uma tribo de homens das cavernas levava uma existência pacífica e em total sintonia com a Mãe Natureza. Até que, um dia, foi expulsa das suas terras por um exército liderado pelo ganancioso Lord Nooth, com o argumento de que terminara a Idade da Pedra e se dava início à Idade do Bronze. É então que Dug, um corajoso rapaz das cavernas, decide unir o seu clã contra o poderoso exército inimigo numa batalha de futebol. A partida, apesar de difícil, acaba por se tornar épica e por salvar a pequena tribo do jugo do adversário… Produzido pela Aardman Animations, um filme de animação em "stopmotion" com realização de Nick Park (“A Fuga das Galinhas”, “As Aventuras de Wallace e Gromit”).

  • MESA CINEMA E EDUCAÇÃO

  • 16 de outubro (14h30 - 18h30, café-concerto)

Vivemos num momento em que não só estamos expostos praticamente 24 horas por dia a todo o tipo de registos e modelos de imagens em movimento, como a acessibilidade dos meios e os imperativos da tecnologia nos convidam a dominar os gestos criativos de criação e de ligação entre si dessas mesmas imagens. E neste panorama o cinema é naturalmente o modo de expressão artística absolutamente fundante de todo este contexto cultural.

No seguimento de um trabalho que o Close-up já vem desenvolvendo desde o início junto dos públicos mais jovens e das escolas — e, pela primeira vez este ano, associando-se e acolhendo o lançamento do novo ano de actividades de um dos mais inovadores projectos europeus na área da educação cinematográfica, o CinEd - European Cinema Education For Youth —, terá também lugar pela primeira vez aqui na Casa das Artes uma mesa redonda sobre CINEMA E EDUCAÇÃO onde se abordará a importância do cinema no contexto educativo nacional e internacional.

Neste espaço de debate serão apresentadas diferentes abordagens e metodologias pedagógicas ligadas à educação para o cinema, discutidas formas de articulação entre escolas, comunidades e projectos de ensino artístico. Entre os nossos convidados estarão presente Agnès Nordmann (Coordenadora Internacional do Projecto CinEd), Diana West (especialista em Antropologia e Práticas Artísticas em contexto de inclusão social), Elsa Mendes (Coordenadora do Plano Nacional de Cinema), José Manuel Costa (Director da Cinemateca Portuguesa) e Teresa Garcia (Directora da Associação “Os Filhos de Lumière”). (CN)

  • de Dorota Kobiela, Hugh Welchman
  • A PAIXÃO DE VAN GOGH

  • 16 de outubro (15h00, GA) M/14
  • Loving Vincent (Grã-Bretanha/Polónia, animação, 2017, 95 min) [3.º ciclo/Secundário/Alunos de Artes]
  • comentado por Ricardo Miranda
  • no imdb | página do filme

Este "biopic" sobre Vincent Van Gogh apresenta-se como a primeira longa-metragem "completamente pintada do mundo". Para animar o filme, foram pintados e repintados 853 quadros a óleo, feitos por mais de 100 artistas diferentes, a partir de 130 obras do lendário pintor holandês. Ao todo, 65 mil fotogramas. A história foca-se mais na morte do que na vida do artista, com a acção a desenrolar-se um ano após a sua morte e pessoas a tentarem perceber o que é que aconteceu ao certo a Van Gogh. Um filme de Hugh Welchman, o animador britânico responsável pela BreakThru Films, produtora que ganhou um Óscar pela curta “Pedro e o Lobo” em 2006, e da sua esposa, a polaca Dorota Kobiela, que tem no currículo o filme familiar The “Flying Machine”.

  • de Pedro Costa
  • O SANGUE

  • 17 de outubro (10h00, PA) M/12
  • O Sangue (Portugal, ficção, 1989, 95 min) CinEd [3.º ciclo/Secundário]
  • comentado por Teresa Garcia
  • no imdb | texto de Mário Jorge Torres

Uma terra de província. Natal, fim de ano. Dois irmãos. Um tem 17 anos, outro 10. Eles juram guardar um segredo. Que tem a ver com as frequentes ausências do pai. E que só uma rapariga partilha com o irmão mais velho. É que desta vez o pai não se ausentou apenas como das outras. Que se passou? Só Vicente e Clara o sabem. Segredos, promessas, separações, esperas. À força de quererem sobreviver ao seu segredo os dois irmãos perdem-se. Talvez seja sobre a noite da infância, este filme. Primeira obra de Pedro Costa, um filme marcado por ecos nocturnos e "fabulosos", como o da viagem pelo rio dos dois irmãos de "Night of the Hunter" de Charles Laughton.

  • de Gonçalo Galvão Teles, Jorge Paixão da Costa
  • SOLDADO MILHÕES

  • 18 de outubro (10h00, GA) M/12
  • Soldado Milhões (Portugal, 2018, 85 min) [2.º e 3.º ciclo]
  • no imdb | página do filme

Como tantos outros portugueses, Aníbal Augusto Milhais foi enviado como soldado para Flandres (Bélgica) durante a Primeira Grande Guerra. Na madrugada de 9 de Abril de 1918, dezenas de divisões alemãs irromperam pelo sector defendido pela segunda divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). Em poucas horas, naquela que ficaria conhecida como Batalha de La Lys, perderam-se mais de 7.500 homens. Contrariando ordens superiores e armado apenas com uma metralhadora Lewis, Milhais enfrentou sozinho sucessivas ofensivas alemãs, garantindo a retirada de vários companheiros. No ano em que se assinala o centenário do fim da Primeira Grande Guerra (1914-1918), acompanhamos o percurso do soldado que "se chamava Milhais, mas valia milhões", através de vários relatos e de uma intensa pesquisa documental.

Animar é a arte de dar vida a objetos inanimados, atribuindo-lhes personalidades e características únicas. Na oficina de Animação Stop-Motion (Pixilação), os alunos serão convidados a criar animação tomando o próprio corpo humano como instrumento do processo criativo. Destinado a alunos do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, tem como objectivo despertar a curiosidade pela animação, dar a conhecer os seus princípios básicos. Podem inscrever-se duas turmas.

Filme-ensaio, “Uma Ópera do Mundo” é baseado na ópera africana Bintou Wéré. “Un opéra du Sahel”, uma narrativa em torno do eterno drama da migração. A ópera, filmada em Bamako em 2007, serve de espelho para Manthia Diawara construir uma história estética e reflexiva, através da música e da dança, sobre a atual crise dos refugiados e a tragédia intemporal da migração entre Sul e Norte, examinando a realidade dos encontros culturais através dos conceitos de mestiçagem e hibridismo. Manthia Diawara (Mali) é um prolífico escritor e cineasta, para além da autoria de diversas publicações sobre cinema africano e das suas diásporas, destacam-se os seus livros de memórias e os filmes de ensaio que incluem: Uma Ópera do Mundo (2017), Negritude, um Diálogo entre Soyinka e Senghor (2015), Édouard Glissant, One World in Relation (2010), Maison Tropicale (2008) e Rouch In Reverse (1995).

  • de Vittorio De Sica
  • LADRÕES DE BICICLETAS

  • 16 de outubro (10h00, AE D. MARIA II) M/12
  • Ladri di Biciclette (Itália, ficção, 1947, 90 min) (Plano Nacional de Cinema) [2.º e 3.º ciclos]
  • comentado por Elsa Mendes e Milene Vale
  • no imdb | por João Lopes

O mais célebre filme de De Sica como realizador, emblemático da força do cinema italiano no imediato pósguerra, muito imitado e nunca igualado. Através da trágica e comovente história de um homem que anda pelas ruas de Roma na companhia do filho, atrás da bicicleta que lhe roubaram e que é o seu instrumento de trabalho, De Sica retraça as dúvidas, dificuldades e esperanças de todo um país. Um dos grandes clássicos de sempre.

  • de Diogo Costa Amarante
  • JUMATE

  • 17 de outubro (16h30, ICS.U MINHO) M/12
  • Jumate (Espanha, documentário, 2008, 30 min)
  • comentado por Diogo Costa Amarante e Isabel Macedo
  • no imdb | página na agência

Camélia, tal como os demais membros da família que partilhavam da sua condição, nasceu e cresceu num circo ambulante romeno que pertencia ao seu pai. Após a morte deste, o circo desapareceu. Camélia herda dele os números de ilusionismo, os vestidos e, principalmente, a vontade de viajar.

  • de Diogo Costa Amarante
  • EM JANEIRO, TALVEZ

  • 17 de outubro (16h30, ICS.U MINHO) M/12
  • Em Janeiro, Talvez (Espanha, documentário, 2009, 40 min)
  • comentado por Diogo Costa Amarante e Isabel Macedo
  • no imdb | página na agência

A Roménia entrou para a União Europeia a 1 de Janeiro de 2007. Na mesma data, acordou-se uma moratória de dois anos em relação à livre circulação de trabalhadores provenientes da Roménia. Em consequência desta medida, muitos trabalhadores de nacionalidade Romena adquiriram o direito de residência em Espanha, conjuntamente com a proibição de trabalhar por conta de outrem nesse mesmo país.

  • de Thierry Frémaux
  • LUMIÈRE! A AVENTURA COMEÇA

  • 18 de outubro (15h00, AE RIBEIRÃO) M/6
  • Lumière ! L'aventure commence (França, documentário, 2016, 90 min) [2.º e 3.º ciclos]
  • no imdb | entrevista a Thierry Fremaux

Em 1895, Louis e August Lumière inventam o cinematógrafo e filmam alguns dos primeiros filmes na história do cinema. Com a descoberta da mise-en-scène, dos travellings e ainda dos efeitos especiais e remakes, também inventaram o cinema enquanto arte. Dos seus mais de 1400 filmes, Thierry Frémaux, director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, seleccionou 108: obras de arte mundialmente conhecidas ou descobertas de filmes antes desconhecidos, recuperados em 4K e reunidos para celebrar o legado dos Lumière.

  • de Ceyda Torun
  • GATOS

  • 19 de outubro (15h00, AE DE PEDOME) M/6
  • Kedi (Turquia/EUA, documentário, 2016, 95 min) [2.º ciclo]
  • no imdb | por João Lopes

Estreia na realização em longa-metragem de Ceyda Torun, um documentário sobre os gatos que vagueiam pelas ruas de Istambul (Turquia). Nessa cidade, tal como em tantas outras, vivem centenas deles que, não sendo selvagens, também não são totalmente domesticados. Este filme segue uma narrativa inventada pela realizadora que se foca especificamente em Sari, Duman, Bengü, Aslan Parçasi, Gamsiz, Psikopat e Deniz, sete animais de "personalidades" distintas cuja sobrevivência se deve à boa vontade e aos cuidados das pessoas com quem se cruzam.