Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

Café Kiarostami

Conversas e concertos através do cinema

O líder dos Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, apresenta-se a solo para transformar o café concerto da Casa das Artes no Cabaret Maxime. Trata-se de um espectáculo pseudo simples e intimista, em que Lello Minsk aliás Manuel João Vieira aliás Orgasmo Carlos, aliás Elvis Ramalho, canta tocando bandolim e guitarra. Aqui Lello Minsk afasta-se um pouco do seu repertório habitual, que figura em grupos como os Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. A figura do cantor intimista é assim eficazmente pervertida até patamares pouco saudáveis em termos de saúde mental.

Conversa a propósito do livro Volta a Portugal, incluindo a projecção do filme Rua da Estrada.

Depois de A Rua da Estrada (2009) e Vida no Campo (2011), Volta a Portugal é um retrato do País que atropela, com humor e sagacidade, a mitologia da ruralidade e do urbano

Rua da Estrada de Graça Castanheira (Portugal, documentário, 2012, 24 min). Em “A Rua da Estrada” percorrem-se as estradas nacionais, com a sua muito peculiar paisagem – sismógrafo do tempo que passa. Lida pelo olhar avisado do geógrafo Álvaro Domingues, uma viagem por Portugal, tal qual é.

  • MESA CINEMA E EDUCAÇÃO

  • 16 de outubro (14h30, café-concerto)

Vivemos num momento em que não só estamos expostos praticamente 24 horas por dia a todo o tipo de registos e modelos de imagens em movimento, como a acessibilidade dos meios e os imperativos da tecnologia nos convidam a dominar os gestos criativos de criação e de ligação entre si dessas mesmas imagens. E neste panorama o cinema é naturalmente o modo de expressão artística absolutamente fundante de todo este contexto cultural.

No seguimento de um trabalho que o Close-up já vem desenvolvendo desde o início junto dos públicos mais jovens e das escolas — e, pela primeira vez este ano, associando-se e acolhendo o lançamento do novo ano de actividades de um dos mais inovadores projectos europeus na área da educação cinematográfica, o CinEd - European Cinema Education For Youth —, terá também lugar pela primeira vez aqui na Casa das Artes uma mesa redonda sobre CINEMA E EDUCAÇÃO onde se abordará a importância do cinema no contexto educativo nacional e internacional.

Neste espaço de debate serão apresentadas diferentes abordagens e metodologias pedagógicas ligadas à educação para o cinema, discutidas formas de articulação entre escolas, comunidades e projectos de ensino artístico. Entre os nossos convidados estarão presente Agnès Nordmann (Coordenadora Internacional do Projecto CinEd), Diana West (especialista em Antropologia e Práticas Artísticas em contexto de inclusão social), Elsa Mendes (Coordenadora do Plano Nacional de Cinema), José Manuel Costa (Director da Cinemateca Portuguesa) e Teresa Garcia (Directora da Associação “Os Filhos de Lumière”). (CN)

  • de Ricardo Vieira Lisboa e Francisco Noronha
  • SESSÃO DE CURTAS

  • 19 de outubro (23h15, café-concerto)

Nesta sessão apresentam-se sete pequenas curtas-metragens realizadas ao longo dos últimos cinco anos. Nelas explora-se, entre outras questões, o ponto de vista do espectador/ crítico enquanto realizador assim como a qualidade háptica da matéria fílmica – isto é, em que medida o filme se transformou, na era digital, em objecto passível de um toque invasivo que o perturba, reconfigura e ressignifica. São vídeos de carácter ensaístico que, na sua maioria, se apropriam de imagens e sons pré-existentes de modo a construir breves análises sobre o posicionamento desses filmes no interior da história do cinema, no interior da história dos vários cineastas, ou simplesmente no interior da História. De Raoul Walsh a Terrence Davies, passando Reinaldo Ferreira e Maria Helena Vieira da Silva, há ainda espaço para uma modesta homenagem a Stan Brakhage, um videoclip e um filme em eterna construção. (RVL)


Sessão com a duração de 45 minutos:
Whiskey com Leite (2013, remastered - estreia); Le métro, Vieira da Silva (2016); Children, Madonna and Child, Death and Transfiguration (2016); Cigarro Azul (2017); Road (2017); Volleyball Holiday 2.0 (2018, nova versão - estreia); Os Motivos de Reinaldo (2018)

O Despiste (2018, documentário, 35 min)
Um acontecimento familiar desencadeia interrogações, dor, mudanças. Imagens do presente que falam sobre o passado e imagens do passado que falam sobre o presente. Entre umas e outras, as histórias repetem-se.

É comum dizer-se que Mudar de Vida (1966) de Paulo Rocha é o filme mais mizoguchiano do cinema português, mas o que quer isso de facto dizer? Nesta conversa proponho uma análise da influência do cinema de Kenji Mizoguchi no cinema de Paulo Rocha, segundo as palavras do próprio Rocha. Em particular a influência no filme de 1966, que antecedeu a sua temporada de 11 anos no Japão como adido cultural da Embaixada Portuguesa — intervalo no qual realizou as suas duas primeiras obras propriamente japonesas, A Ilha dos Amores (1982) e A Ilha de Moraes (1984). Esta será então uma conversa que girará em torno de dois grandes cineastas, um português e outro japonês, de duas gerações muito diferente, onde o primeiro tomou o segundo como mestre incontornável. Será menos sobre a influência directa do cinema de Kenji Mizoguchi no cinema de Paulo Rocha e mais sobre o modo como Rocha olhou a obra do realizador nipónico e dela retirou ensinamentos profundos sobre o cinema, e também sobre a vida. (RVL)

Vencedor da secção Orizzonti no Festival de Veneza, Nico, 1988 é um biopic musical sobre a última fase da vida de Nico, ícone feminino dos Velvet Underground e musa de Andy Warhol. O filme retrata a vocalista naquela que seria a última digressão a solo, enquanto tenta restabelecer a relação com o filho e lidar com a sua toxicodependência e depressão. Retratar uma figura tão icónica como a de Nico não se previa tarefa fácil mas Susanna Nicchiarelli conseguiu um excelente resultado através de um filme onde o fragmento é mais importante do que a totalidade, onde o olhar cansado e desiludido de Trine Dyrholm, a maravilhosa atriz dinamarquesa que interpreta Nico, esconde mil histórias que não precisam de ser contadas.