Paisagens Temáticas

Claude Lanzmann, com Shoah, instalou uma abordagem decisiva à herança de imagens do Holocausto, ao recusar o uso de imagens de arquivo, optando por colocar no centro a oralidade, os depoimentos de vítimas e carrascos. Com o peso destes 70 anos, no século do cinema, têm sido recentemente produzidos inúmeros filmes, de uma diversidade de géneros e abordagens assinalável, o que desembocou na estreia de Filho de Saul, caucionado pelos festivais e pela indústria americana, o que parece ter encerrado este capítulo. Esta secção pretende questionar esta produção e olhá-la na perspectiva do cinema, sem negligenciar o contexto sociopolítico dos nossos dias.

Filho de Saul

de László Nemes

28-10-2016 22h30 (PA)
Son of Saul (Hungria, ficção, 2015, 107 min) M/16
Com a presença de Elena Piatok

Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau. Saul Ausländer é um membro húngaro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolados do campo de concentração e forçados a dar apoio aos Nazis no processo de extermínio em larga escala. Durante os trabalhos num dos crematórios, Saul descobre o corpo de um rapaz que ele reconhece como sendo o seu filho. Enquanto os Sonderkommando planeiam uma revolta, Saul fica obcecado com uma missão impossível: salvar o corpo do rapaz de uma autopsia e encontrar um rabino para lhe recitar as orações Kaddish e realizar o funeral. Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes 2015 e Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da edição de 2016.

Hannah Arendt

de Margarethe Von Trotta

29-10-2016 17h45 (GA)
(França/Luxemburgo/Alemanha, ficção, 2013, 113 min) M/12
Com a presença de Clara Ferreira Alves

Após assistir ao julgamento do nazi Adolf Eichmann, a filósofa política Hannah Arendt atreve-se a escrever sobre o Holocausto em termos inauditos. O seu trabalho provoca imediatamente escândalo mas Arendt mantém-se firme ao ser atacada tanto por inimigos, quanto por amigos. HANNAH ARENDT é um retrato do génio que abalou o mundo com a sua tese sobre a “banalidade do mal”. Este filme, realizado por Margarethe von Trotta ("A Honra Perdida de Katharina Blum") é o retrato de um génio incompreendido, de alguém que se atreveu a fazer uma reflexão sobre o Holocausto de um modo absolutamente inovador e que, mesmo sob duras críticas, se manteve fiel às suas convicções.

Treblinka

de Sérgio Trefaut

28-10-2016 21h30 (PA)
(Portugal, ficção, 2016, 61 min) M/12
Com a presença de Elena Piatok

Eu sinto que todos os comboios vão dar a Auschwitz, Dachau e Treblinka”. Uma viagem pela memória que funde passado com presente. Esta é a proposta do mais recente filme de Sérgio Tréfaut (realizador de Lisboetas, prémio de Melhor Filme Português no IndieLisboa). Percorrendo os caminhos férreos que ligam hoje Polónia, Rússia e Ucrânia, Tréfaut encontra pistas de um passado que resiste ao slogan do pós-guerra: “Nunca mais”. Não, “Tudo está a acontecer outra vez”. Os comboios ainda vão dar a...

O Homem Decente

de Vanessa Lapa

30-10-2016 21h45 (PA)
The Decent One (Israel/Áustria, documentário, 2014, 94 min) M/14
Com a presença de Elena Piatok

Através de cartas, fotografias e diários encontrados na casa de família dos Himmler em 1945, o filme retrata a vida e a mente do “Arquitecto da Solução Final”, Heinrich Himmler. Himmler escreve: “na vida, é preciso ser decente, corajoso e ter bom coração”. Como é que alguém pode ser um herói aos seus próprios olhos e um assassino aos olhos do mundo? Um retrato único de umas das guras mais proeminentes do Terceiro Reich: o Reichsfuhrer SS: Heinrich Himmler.

Shoah

de Claude Lanzmannt

12-05-2017 21h30 (PA)
(França, documentário, 1985, 55 min) M/12
Com a presença de José Marmeleira

Opus de nove horas de duração, SHOAH é um dos maiores documentários de todos os tempos. Um filme contra o esquecimento e sobre o impensável: a morte de mais de seis milhões de judeus pelos Nazis. Realizado ao longo de doze anos, apresenta entrevistas em 14 países com sobreviventes, testemunhas e criminosos. Sem recorrer a imagens de arquivo histórico, usa entrevistas que visam “reencarnar” a tragédia judaica, e visita os locais onde os crimes ocorreram. O filme nasceu da preocupação de Lanzmann com o facto de o genocídio perpetrado apenas 40 anos antes começar a ficar escondido nas brumas do tempo, uma atrocidade que começava a ser higienizada pela História. SHOAH foi editado recentemente pela primeira vez em Portugal, na sua versão restaurada.