Na sombra da cultura japonesa, como um fluído entrelaçado com o espaço estilístico ímpar de Yasujiro Ozu, delicadas histórias do quotidiano apresentam-se tão orgânicas quanto as analogias favoritas do realizador: o movimento da luz, o ciclo da vida, a passagem das estações. Nos filmes de Ozu, as banalidades da existência transformam-se em verdades eternas. Nada é forçado, na tela sobram apenas os detalhes que compõem a natureza humana, entregues por uma lente contemplativa, redutora e pura. É neste cruzamento que encontramos Isao Takahata, um dos fundadores dos Estúdios Ghibli, precursor da animação japonesa. Da proeminente reinvenção técnica, que desafia convenções, à captação da vida com sublime contenção e intimidade, nos desenhos em movimento de Takahata estão impressos vestígios da filmografia de Ozu, de forma oblíqua e discreta, mas surpreendente. A secção Histórias do Cinema propõe estabelecer uma linha de intersecção entre os dois grandes cineastas.

Wataru Hirayama (Shin Saburi), um homem de negócios de Tóquio a quem os outros sempre recorreram para conselhos sentimentais ou familiares, vê-se confrontado com um conflito com a própria filha, Yukiko (Fujiko Yamamoto). O problema é que ele não aprova o homem com quem ela deseja casar-se e muito menos o facto de ter feito essa escolha sem o consultar. Centrado no tema mais caro a Yasujirô Ozu na fase final da sua obra – as relações familiares no Japão do pós-guerra – e baseado num romance de Ton Satomi, "A Flor do Equinócio" é um dos maiores exemplos da mestria e perfeição alcançadas pelo cineasta nipónico. Foi o seu primeiro filme a cores.

Os Tanuki, pacíficas criaturas guaxinim que habitam na TamaHills, nos arredores de Tóquio, sempre viveram em harmonia com a natureza. Agora eles estão em risco de extinção quando a sua casa na oresta é destruída para dar lugar a projetos de habitação. O Tanuki mais velho e mais sábio propõe um plano para lutar contra a ameaça humana, empregando a antiga arte mágica da metamorfose. E depois de muito treino, os Tanuki aprendem a transformar-se em objetos, em fantasmas e mesmo em seres humanos. Mas o inimigo torna-se cada vez mais esperto e o confronto acaba de maneira trágica. Com realização do mítico Isao Takahata, numa animação dos Studio Ghibli de Hayao Miyazaki. Grande Prémio no Festival Internacional de Animação de Annecy (1995).

Descontentes com a decisão dos pais, que recusam comprar uma televisão, dois irmãos resolvem fazer, como forma de protesto, uma greve de silêncio. É o início de um momento de crise, mas também de mudança no seio da família Hayashi. Da autoria do lendário realizador japonês Yasujirô Ozu, "Bom Dia" retoma um dos seus filmes anteriores, "Nasci, Mas..." (1932), mas trabalhando a cor e situando a trama no Japão do pós-guerra. O filme é considerado uma obra-prima da fase final da carreira do cineasta.

Apercebendo-se que se encontra perante uma encruzilhada na sua vida, a entediada empregada de escritório de vinte e poucos anos, Taeko, parte para o campo. A viagem vai repescar memórias esquecidas, as primeiras emoções dos romances de infância, a puberdade e crescer, as frustrações da matemática e os rapazes. Em alternâncias líricas entre o presente e o passado, Taeko questiona-se se terá sido fiel aos seus sonhos de criança. Evocando graciosamente os anos 60 e 80, Memórias de Ontem é uma obra de duas épocas, e o drama requintado da nostalgia japonesa dos tempos de escola. Com realização do mítico Isao Takahata, numa animação dos Studio Ghibli de Hayao Miyazaki.

As aventuras e desventuras do quotidiano de uma típica família japonesa de classe média, na cidade de Tóquio: Takashi, o pai, um trabalhador comum; Matsuko, a mãe, dona de casa; a sogra, Shige; Noboru, o filho adolescente; Nonoko, a filha criança; e o cachorro da família, Pochi. Em contos que vão desde a cena mais divertida à mais triste, vemos a maneira como esta família lida com pequenos conflitos da vida, problemas e alegrias. Com realização do mítico Isao Takahata, numa animação dos Studio Ghibli de Hayao Miyazaki.

Reunidos para lembrar Shuzo, que faleceu há sete anos, três dos seus amigos decidem que está na hora de encontrar um bom marido para a filha que deixou: a bela Ayako (Yôko Tsukasa), de 24 anos. Ela não quer casar-se tão cedo, mas isso não os demove de lhe procurar um pretendente. A resistência de Ayako tem um motivo: ela não quer sair de casa para não deixar sozinha a mãe, Akiko (Setsuko Hara), por quem, aliás, cada um dos três homens se sente há muito atraído. Realizado pelo japonês Yasujirô Ozu, um dos mais aclamados cineastas de sempre, "O Fim do Outono" baseia-se no romance homónimo do escritor Ton Satomi.