Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

TEMPO DE VIAGEM

O Close-up não tem um tema. Tem antes um mote que favorece a formação de relações, afinidades e reflexões cinematográficas. Um mote que potencia um sentido transversal estruturante e preparatório. Na primeira edição do Observatório de Cinema o mote foi a memória. Nesta segunda edição é a viagem a partir do documentário que Andrei Tarkovsky e Tonino Guerra realizaram em Itália antes do filme Nostalgia. A viagem como representação e como tempo e espaço interior de desenvolvimento e maturação do cinema. Do que nos impregna, do que nos transporta e do que nos transcende. A viagem que percorremos quando nos deixamos depois conduzir pela luz e pelas sombras projectadas à nossa frente. Entre o reconhecimento e o desconhecido.

Um Homem vai-se aproximando de uma grande cidade pelos acessos mais secretos, áridos, selvagens. Chega e avista a cidade de Lisboa dos altos e por cima dos montes. Lá, de onde saiu há muitos anos, sente-se um estranho. Reconhece e não reconhece a paisagem e o ambiente. Que o atrai e o repele. Procura amigos, conhecidos, lugares, uma filha que lhe chegou por carta tanto tempo passado. Descobre e redescobre um último reduto onde se sente em casa. Mas parte, no fim, parte.
Uz é uma pequena aldeia minhota de casas em pedra e onde ainda se podem ver construções cobertas com telhados de colmo. Depois de quase toda a população ter emigrado, restaram apenas 49 habitantes, que ainda hoje subsistem da agricultura e da pastorícia. Entre a recordação do passado e a esperança no futuro, este filme-documento mostra como seguem as vidas destas pessoas durante as quatro estações de um ano. Entre os habitantes de Uz encontramos António, um emigrante que realizou o sonho de voltar às origens e que se dedica a preparar a festa da aldeia para o Verão, e Daniel, um pastor que anseia encontrar o amor da sua vida. O filme recebeu o Prémio Liscont e o Prémio Escolas/IADE para Melhor Longa-Metragem da Competição Portuguesa no Doclisboa’14, e já passou pelo Visions du Réel (Suíça) e Trento IFF (Itália), onde venceu a Gentiana de Prata para Melhor Contribuição Técnica e Artística.
"Espantar-se é interrogar". O Espectador Espantado é uma cine-investigação sobre o acto de ver cinema., um diálogo entre diferentes tipos de espectadores: o que é mais cinema? – ver o Citizen Kane num telemóvel ou ver um jogo de futebol projectado numa sala de cinema? O que é o Cinema da Incerteza? Quantos tipos de espanto existem? O Medo e a Crença precedem o Espanto? Quais são os direitos e deveres do espectador? Os filmes de ensaio são manifestos contra o voyeurismo? Os espectadores deveriam ser pagos? O que espanta hoje um espectador? Estreado no Festival de Roterdão, com a participação de: Laura Mulvey, Eduardo Lourenço, Augusto M. Seabra, Olaf Möller, Laura Rascaroli, Guy Maddin, F.J. Ossang, Wanda Strauven, André Gaudreault, Toby Miller.
No primeiro filme que fez fora da Rússia, Tarkovsky centra-se no significado da nostalgia. Gortchakov, poeta russo, viajando pela Itália num trabalho de investigação, confronta-se com as saudades pela sua terra natal, com os sentimentos que tem por Eugenia, a sua intérprete italiana, e com a influência de Domenico, uma personagem mística com um passado bizarro. Festival de Cannes 1983: Selecção Oficial, Em Competição; Melhor Realizador; Prémio FIPRESCI; Prémio do Júri Ecuménico.
“Traces of a Diary” é uma espécie de diário de viagem. Através duma série de encontros com alguns dos mais significativos fotógrafos japoneses, os realizadores reflectem sobre o acto de fazer imagens, contar histórias, e o processo diarístico. Ao filmarem com duas câmaras 16mm de corda, as Krasnogork3, Martins e Príncipe valorizam a crueza do espontâneo e do contingente, acima do tratamento estudado. Ao mesmo tempo diário e reflexão sobre o género diarístico, “Traces of a Diary” é uma visão pessoal sobre alguns dos mais importantes fotógrafos actuais e a cidade que eles fotografam.
Distinguido com o Grande Prémio na edição do Festival de Cannes de 1984, "Paris, Texas" conta a história de um homem que sofre de amnésia (Harry Dean Stanton) e da sua luta para reconstruir uma vida feita em pedaços. Travis regressa a Paris, no estado do Texas, ao fim de quatro anos. O seu irmão, Walt, reencontra uma figura suja, vestindo roupas gastas, sem memória, magro e mudo. Uma das únicas coisas de que Travis se lembra é de a sua mãe lhe ter dito onde ela e o seu pai fizeram amor pela primeira vez. A partir dos fragmentos, Travis vai tentar reconstruir o puzzle desfeito em que a sua vida se tornou.
O jornalista alemão Phillip Winter pretende escrever uma história sobre a América, mas não consegue nada para além de uma série de Polaroids. Antes de iniciar a viagem de regresso a casa, desapontado, aceita levar a pequena Alice com ele, fazendo um favor à mãe da rapariga. Em Amesterdão, a mãe de Alice falha o encontro combinado, e Philippe e Alice iniciam uma viagem para encontrar a avó dela, na Alemanha. Durante a viagem, a animosidade inicial entre ambos vai-se transformando numa relação afectuosa. Este é o primeiro filme da Trilogia Road Movie de Wim Wenders, onde se incluem “Movimento em Falso” e “Ao Correr do Tempo”.
Penúmbria foi fundada há duzentos anos num extremo de difícil acesso. De solos áridos, mares revoltados e clima violento, ficou a dever o seu nome à sombra e à nebulosidade quase permanentes. Até que um dia, os seus habitantes decidiram entregá-la ao tempo. Esta é a história de um lugar inabitável.
Rubén é um motorista solitário que percorre há anos a estrada entre Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires. Mas a viagem de hoje será diferente. Rubén aceita dar boleia a uma mulher desconhecida até Buenos Aires. Mas Jacinta, sua companheira de viagem, aparece uma hora atrasada, e com um bebé no colo. A primeira impressão de Rubén não é nada positiva, a imagem de passar longas horas ao lado de um bebé a chorar e de uma pessoa por quem ele não tem o menor interesse não lhe agrada. Mas, aos poucos, Rubén e Jacinta começam a trocar as primeiras palavras e a conhecer-se melhor. Vencedor do prémio Camera d´Or para Melhor Jovem Realizador no Festival de Cannes 2011.
Nascidos no Michigan, em 1967 – ainda sob o nome de The Psychedelic Stooges –, The Stooges foram uma banda norte-americana que fez história pela singularidade artística. Apesar do pouco êxito comercial na altura do lançamento, os seus primeiros discos – "The Stooges" (1969), "Fun House" (1970) e "Raw Power" (1973) – vieram a ter um grande impacto no panorama musical do final dos anos 1970. Após o desmembramento da banda, em 1975, Iggy Pop, o enérgico vocalista, ainda hoje conhecido como "o padrinho do punk", seguiu uma carreira solo e tornou-se um verdadeiro ícone do rock. Através de entrevistas e imagens de arquivos, Jim Jarmusch parte do título de um dos temas mais conhecidos da banda e constrói um documentário sobre a obra, a trajectória e o impacto que teve na cultura musical.
Wim Wenders celebrava em 1977 o cinema americano na figura de um dos seus mestres, Nicholas Ray, a quem vai beber ideias para realizar este policial que adapta uma das novelas de Patrícia Highsmith centradas em Tom Ripley. Ray, o lendário realizador de obras-primas como Johnny Guitar, interpreta a figura de um pintor especialista em falsificações, com quem Ripley faz negócio e que planeia transformar em assassino a soldo. Nomeado para a Palma de Ouro em Cannes.
Com entrevistas e testemunhos de diversas personalidades ligadas à tecnologia, o realizador Werner Herzog faz uma viagem pela internet, robótica e inteligência artificial, desde as suas origens até aos dias de hoje. Apresenta uma reflexão sobre a forma como a evolução tecnológica alterou as vidas reais de milhões de pessoas, dos negócios à educação, das viagens espaciais aos sistemas de saúde, até à própria forma de abordagem nas relações interpessoais. Herzog questiona ainda alguns comportamentos nocivos ligados à tecnologia: o poder do anonimato, a compulsão dos videojogos, o crescente vício nas redes sociais ou, em casos mais extremos, os perigos do ciberterrorismo.
Stop Making Sense é o notável filme-concerto do realizador Jonathan Demme que regista a energia tremenda e o carácter festivo da actuação ao vivo dos Talking Heads. Bernie Worrell, Alex Weir, Steve Scales, Lynn Mabry e Edna Holt juntam-se aos membros da banda - David Byrne, Tina Weymouth, Chris Frantz e Jerry Harrison - neste filme-concerto inovador, recheado das canções mais memoráveis dos Talking Heads. Filmado durante três actuações em concerto, em Los Angeles, em Dezembro de 1983, o filme é um acontecimento entusiasmante e empolgante, dado o génio criativo de Demme e a energia explosiva da banda.
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