Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Com produção contemporânea em diálogo com obras importantes da história do Cinema, releva-se o espaço para o registo e recriação ficcional da infância e da juventude através do Cinema. Para perceber o seu campo de representação e interpretação, de encantamento, reflexão e estranhamento do mundo. E para desenvolver igualmente um sentido de diálogo e debate a partir das múltiplas leituras e abordagens que decorrem da selecção dos filmes, os quais nos remetem para a complexidade da condição da infância e da juventude na sociedade contemporânea.

São Paulo, 1984. Estela vive uma passagem agitada pela adolescência. O sexo, os amores, as amizades; tudo parece muito complicado. O seu tio Carlos é o seu maior herói, e a viagem à Califórnia para visitá-lo, o seu grande sonho. Mas tudo desaba quando ele volta magro, fraco e doente. Entre crises e descobertas, Estela irá encarar uma realidade que mudará definitivamente a sua forma de ver o mundo.

Um dos melhores filmes espanhóis de sempre, construído à volta do mito de Frankenstein, recriado no espírito de uma criança, após ver o filme de Whale no cinema ambulante, e que se desenvolve na atmosfera deprimente do campo espanhol, nos anos que se seguiram ao fim da guerra civil. [Cinemateca Portuguesa]

Num colégio interno para surdos-mudos há toda uma hierarquia de crime e corrupção, com roubo e prostituição à mistura, a que o jovem Sergey (Grigoriy Fesenko) é exposto quando chega e na qual tenta encontrar o seu lugar. Sem diálogos audíveis, com tudo falado em língua gestual ucraniana, usa o som e a imagem para contar a sua história de uma maneira a que poucos filmes actuais recorrem. Este filme marca a estreia de Myroslav Slaboshpytskyi, que o escreveu e realizou, em longas-metragens.
Star é uma jovem sem nada a perder. Quando encontra um grupo de rapazes e raparigas que, como forma de sustento, viajam pelos EUA a vender subscrições de uma revista, decide juntar-se-lhes. Entre eles está Jake, por quem se apaixona e com quem vive uma relação muito peculiar. Star vê-se assim envolvida com um conjunto de inadaptados para quem as festas, o amor livre e a constante fuga às autoridades substituem a imposição de regras dos que se preparam para a vida adulta…Em competição pela Palma de Ouro em Cannes – onde arrecadou o Prémio do Júri –, um "road movie" sobre a juventude, com realização da inglesa Andrea Arnold ("Aquário", "O Monte dos Vendavais").
Filme criado a partir da realidade quotidiana dos actores. É resultado da partilha e da relação criada entre a equipa e os personagens encontrados. Integra o projecto Bela Vista BV criado por Filipa Reis, João Miller Guerra e Pedro Pinho, que está a ser desenvolvido pela Vende-se Filmes no bairro da Bela Vista em Setúbal, com o financiamento da Câmara Municipal de Setúbal.
Um dia na praia, antes das férias de Verão. Uma rapariga acabada de chegar que provoca curiosidade. Um rumor. Um desses dias que não acabam. Uma falha no sistema de distribuição de electricidade - um apagão - talvez se trate de um acidente, talvez seja só um pretexto para passar uma noite juntos.
  • André Santos e Marco Leão
  • INTEGRAL

  • 6 de Março (21h30, PA) M/12
  • sessão com a presença dos realizadores e de Vasco Câmara, editor do suplemento Ipsilon
  • texto-entrevista de Vasco Câmara
É quase uma década de trabalho - desde A Nossa Necessidade de Consolo (2007) até Pedro (2016) - sobre o território da intimidade, a partir do território da intimidade e com as histórias e as pessoas da intimidade - os filmes são rodados no círculo familiar ou de amizades, mesmo se aos poucos os actores profissionais começaram a aparecer, a partir de laços já existentes e que os filmes não alteram ou fabricam significativamente. Integrada, na programação do Close-up, num núcleo temático dedicado à Infância e Juventude, esta década de trabalho é de uma feroz e lírica coerência. Isso tornará a experiência, 10 anos de curtas como se fosse o mesmo filme, uma (re)descoberta empolgante. Vasco Câmara, Ipsilon

Filmes a exibir
A Nossa Necessidade de Consolo (2008, 13 min) M/12
Cavalos Selvagens (2010, 11 min) M/12
Infinito (2011, 9 min) M/12
Má Raça (2013, 20 min) M1/2
Aula de Condução (2015, 17 min) M/12
Pedro (2016, 20 min) M/12

André Santos e Marco Leão
Em 2008, realizaram a sua primeira curta-metragem documental “A nossa necessidade de consolo”. Nos anos que se seguiram realizaram os seus primeiros filmes de ficção, “Cavalos Selvagens” (2010) e “Infinito” (2011), este último desenvolvido em colaboração com a escola francesa Le Fresnoy – Studio National des Arts Contemporains e com o Festival IndieLisboa. Estes três filmes são altamente biográficos, lidando com as suas memórias de infância e com as suas expectativas em torno da intimidade. Todos os seus filmes foram exibidos em festivais nacionais e internacionais. “Má Raça” (2013) é um retrato sobre o vazio numa relação primária entre mãe e filha e foi distinguido no 10º IndieLisboa com o Prémio Novo Talento FNAC e ainda com uma Menção Honrosa para Melhor Curta-Metragem Portuguesa. “Pedro”, o mais recente filme da dupla, foi o primeiro filme português a ser selecionado para a Competição Internacional do Festival de Cinema de Sundance. Além do trabalho como cineastas, André também trabalha como diretor de fotografia e Marco como diretor de som.
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