Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão

FANTASIA LUSITANA

No caminho pelas Histórias do Cinema, a rebeldia feminina - uma parte do ser mulher - permitiu criar uma nova visibilidade identitária no domínio das técnicas de construção e produção simbólica de referenciais fílmicos. No segundo episódio do Observatório, esta secção mostra filmes de mulheres com temáticas originais e abrangentes, por vezes difíceis de definir. Como a história sobre a manhã de um casamento, um documentário onde se interroga​m​ as formas narrativas e a matéria do cinema, ou uma triste ilusão na povoação mais alta do mundo. Há lugar para uma adaptação livre de um dos mais famosos contos de Barbey d'Aurevilly e para entrar numa Unidade de Internamento de Psiquiatria. Em estreia especial​ no​ Observatório de Cinema, Armindo e a Câmara Escura de Tânia Dinis, uma experiência do tempo que passou e do tempo que não passa. Cinema no feminino, sem distinção de género, realizado por lusitanas - e de outras descendências que, agora, são também nossas -, coevas, mas com modos de olhar distintos e singulares, que usam a linguagem cinematográfica como veículo de (re)criação artística. Como disse Agnés Varda, "é a margem que segura as páginas de um livro, não deveríamos sofrer por estar nessa margem, nós estamos no lado que sustenta."

O Dia do Meu Casamento acompanha uma manhã na vida de três mulheres. Uma para quem o casamento se impôs como uma norma a cumprir, outra que se prepara para deixar a casa da sua infância e cumprir a norma do casamento e uma outra que luta pela sobrevivência da sua inocência em relação a essas e tantas outras normas. E claro, os convidados, ao mesmo tempo participantes e testemunhas de toda esta normalidade. É uma história aparentemente sobre o nada e nada mais que a simples manhã de um casamento. O meu.
A acção decorre no terceiro andar de um prédio do Bairro das Colónias, em Lisboa. Originárias da Guiné-Bissau, Fatumata e Aissato Baldé, mãe e filha, reflectem sobre o amor e a felicidade. A filha traduz a língua da mãe – o fula –, para português e ao fazê-lo interpreta os seus sentimentos e emoções mais íntimas…Com realização de Luciana Fina (“O Encontro”, “In Media Res”), artista italiana radicada em Lisboa, um documentário onde se “ensaia mais um gesto cinematográfico que interroga as formas narrativas e a matéria do cinema.”
Situada nos Andes peruanos, 5100 metros acima do nível do mar, La Rinconada é a povoação mais alta do mundo. Devido à sua localização, o clima é agreste, com uma temperatura média anual a rondar os 1,2 graus centígrados. Com uma mina de ouro nas proximidades, vive a triste ilusão do "eldorado". Motivados pela esperança ou pelo desespero, e com a súbita subida de preço do ouro nos últimos anos, muitos peruanos rumam até lá, acreditando que o sacrifício os ajudará a enriquecer e a mudar de vida. Segunda longa-metragem de Salomé Lamas ("Terra de Ninguém"), "Eldorado XXI" foi estreada internacionalmente no Festival de Cinema de Berlim.
Um lugar na Europa, séc. XIX. Roberto (Fernando Rodrigues) é um "bon vivant". A sua vida é levada entre o aborrecimento e as tentativas frustradas de fugir dele. Um dia, enquanto procurava os prazeres da carne e julgava que nada o poderia surpreender, conhece uma cortesã (Rita Durão) que lhe revela algo absolutamente inesperado: ela foi, em tempos, a esposa do duque de Sierra Leone. Depois de o seu marido assassinar o grande amor da sua vida, mergulhada em desespero e revolta, jurou a maior e mais cruel vingança de uma mulher: atacando a sua honra, torna-se prostituta. Aquele momento vai mudar Roberto, que reconhece o vazio de toda a sua existência por nunca ter conhecido o verdadeiro amor. Um filme de Rita Azevedo Gomes, uma adaptação livre de um dos mais famosos contos do francês Barbey d'Aurevilly, publicada na obra "Les Diaboliques" em 1874.
A Unidade de Internamento de Psiquiatria Forense é uma estrutura de regime fechado, de segurança média, com vertente reabilitadora. Presta acompanhamento psiquiátrico, psicológico, médico, terapêutico e social. Os homens que a habitam foram considerados inimputáveis pelo tribunal. Sentem o tempo passar, lento. É neste tempo individual que o filme se instala. Vencedor do Prémio de Competição Nacional no DocLisboa.
Para esta programação, apresento uma série de trabalhos, grande parte destes filmes dão continuidade ao trabalho desenvolvido no Projecto-Arquivo de Família, um trabalho que está em constante desenvolvimento, que explora diversas perspectivas e diversos universos artísticos, como a fotografia, performance, performance-conferência, cinema, um trabalho de pesquisa e recolha imagens pessoais, de arquivos familiares (pessoais ou anónimas) Super 8mm, found footage, home movies, fotografias, diapositivos, cartas e outros objectos encontrados ou doados, que tem como objectivo resultar num conjunto de trabalhos reorganizados, revisitados, confrontados e manipulados através da montagem, implementando colagens e fragmentos sonoros, explorando a ideia da imagem, numa experiência do tempo que passou e do tempo que não passa, numa memória que se expande no espaço, criando assim, pequenos momentos e várias possibilidades narrativas. Imagens fixas e/ou em movimento que se reinventam, imagens deslocadas dos seus momentos originais num tempo e espaço diferente, num diálogo entre passado e presente.

Alinhamento: Femmes (2012, 3min); Teresa (2017, 4 min); Não são favas, são feijocas (2013, 10 min); Arco da Velha (2015, 4 min); Ilha das Bananeiras (2015, 4 min); Carta para a minha amiga (2013, 3 min); Laura (2017, 10 min); Armindo e a Câmara Escura (2017, 20 min)

ARMINDO E A CÂMARA ESCURA Estreia a convite do Close-Up
Armindo Carvalho é o meu avô de Vila Nova de Famalicão. Dedicou toda a sua vida à fotografia e em 1969 tirou a carteira profissional. Registou a sua família e a família dos outros. Percorreu várias cidades e aldeias da região de Braga, Famalicão, Guimarães, entre outras, a registar eventos e várias cerimónias. ARMINDO E A CÂMARA ESCURA, é um trabalho de revisitação das suas memórias familiares através das imagens.

Um filme de Tânia Dinis
Com Armindo Carvalho e Tânia Dinis
Argumento/Texto – Tânia Dinis e Pedro Bastos
Música – Jorge Quintela
Produção - Tânia Dinis
Com apoio à produção da Associação Cultural - Tenda de Saias e da produtora Bando à Parte
Apoio à produção local da Casa das Artes de Famalicão - Close-up - Observatório de Cinema de Famalicão
Apoio financeiro do concurso Curtas-Metragens 2017 da Fundação GDA

Brevemente
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