Observatório de cinema - Casa das Artes de Vila nova de Famalicão
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3.º episódio: O Lugar

26/09/18

O Close-up fundou-se na Memória, razão primordial do Cinema, com apadrinhamento de Abbas Kiarostami. O segundo episódio fez-se da ampla Viagem que nos trouxe ao Lugar, como se o olhar projetado naquela estrada fílmica do cartaz da edição anterior adivinhasse no horizonte o mote desta edição do Observatório de Cinema: o lugar como respiração, com todos os ritmos, quebras e tensões que acompanham a circularidade espácio-temporal. Falamos de um lugar no Cinema que se constrói na repetição e na diferença do entrelaçamento de paisagens habitadas. Será um episódio, acompanhado de réplicas, povoado de lugares, de todos os lugares, lugares ora fabricados, ora preservados, pelo Cinema.

Na abertura e encerramento, filmes-concerto, momentos singulares de dar a ver importantes edifícios do Cinema com suporte de novas bandas-sonoras: Paulo Furtado, o seu Legendary Tiger Man, apresenta uma encomenda do Close-up, Os Lobos de Rino Lupo, obra maior do mudo português, alvo de restauro digital recente pela Cinemateca Portuguesa; David Santos, aliás Noiserv, volta a dar movimento a Buster Keaton, e apresenta para famílias Sherlock Jr.

Nas Paisagens Temáticas – o Lugar, secção-mote, cruzamos produção contemporânea com curtas portuguesas, um diálogo à procura de relações e de lugares ampliados pela lente do Cinema, incluindo animação e documentário, exemplares de paisagens ora transgressoras, ora humanizadas por fábulas. Ao abrigo do mote Lugar, estrearemos uma exposição de Fotografia e Vídeo à medida do foyer da Casa das Artes, da autoria da dupla Virgílio Ferreira & Ana Guimarães. A América Latina é a protagonista do Cinema Mundo, panorama diverso de latitudes e olhares, do México à Argentina, com cinco das seis obras a exibir sem estreia comercial em Portugal. As Histórias do Cinema apresentam o clássico Mizoguchi, o fulgor e o humanismo da sua filmografia interceptada por algumas paragens do cinema português: de Paulo Rocha a Pedro Costa e João Pedro Rodrigues.

A população escolar ocupa um dos eixos do Observatório de Cinema, com a apresentação de dez sessões para Escolas, sendo que metade delas se projectarão nos Agrupamentos, incluindo no itinerário o Instituto das Ciências Sociais da Universidade do Minho. O protagonismo atribuído à dicotomia Cinema e Educação, permitirá à Casa das Artes acolher, durante a vigência do Close-up, o arranque do ano quatro do CinEd, programa europeu de educação ao cinema dirigido a jovens entre os 6 e os 18 anos, financiado pela Europa Criativa/ Programa MEDIA da União Europeia e que reunirá durante quatro dias todos os parceiros dos nove países envolvidos.

O terceiro episódio alberga o Café Kiarostami, nova rubrica de sessões no Café-concerto, que à boleia do Cinema cruza música, projecções e conversas, com as presenças do músico e tudo mais Manuel João Vieira, do geógrafo Álvaro Domingues, do critico e realizador Ricardo Vieira Lisboa e com espaço para uma mesa redonda, um painel que discorrerá sobre os estados gerais do Cinema e Educação. O panorama de produção portuguesa, Fantasia Lusitana, revela o percurso através da curta-metragem de dois realizadores: Diogo Costa Amarante, incluindo uma carta branca e Mário Macedo, que fecha a trilogia dedicada ao Tio Rui através de uma produção em estreia, com marca Close-up. Renovamos o diálogo com a comunidade, com Sessões para Famílias, com filmes e workshops, oportunidade para juntar gerações e cruzar disciplinas e linguagens.

O Cinema é também um lugar de cosmogonias e experimentação de realidades: Famalicão será, então, uma Cidade Cinema durante oito dias, com cerca de 40 sessões, dispostas em secções que comunicam e dialogam na chegada aos lugares do Cinema, incluindo projecções especiais e singularizando sessões com introduções e comentários de realizadores, jornalistas, investigadores e programadores: não há outro lugar como o Cinema.